Edição 02 · Junho 2026
Volume · I · Periódico Editorial

Saúde & Qualidade de Vida

Periódico editorial de saúde integrativa · sob direção da Dra. Rose Borth
Saúde & Qualidade de Vida — Edição 02
Reportagem desta edição06 · 2026
A Medicina das Quatro Idades

O que muda na saúde aos 40+ e aos 60+ — e o que a sua boca tem a dizer.

Quatro especialistas, quatro fases da vida, quatro perguntas que precisavam de resposta clara — em uma edição editorial dedicada à saúde integrativa.

Nesta Edição
I
Mulheres 60+ · Dra. Rose BorthO mito da reposição hormonal — e o que a saúde da boca tem a dizer sobre o climatério.
II
Homens 40+ · Dr. Moisés SchererBruxismo: o sinal silencioso que o corpo já manda há anos sem ser ouvido.
III
Mulheres 40+ · Dra. Fernanda Borth SchererAlinhador invisível ou aparelho fixo: a decisão clínica que a paciente moderna precisa.
IV
Coluna do Convidado · Médico EspecialistaA leitura de quem cuida do outro lado: quando a boca sinaliza algo que pede outro consultório.
Saúde & Qualidade de Vida · Edição 02 · Junho 2026
Da editora · Pág. 2

Cuidar é, sempre, conversa.

A primeira edição deste periódico foi escrita só por mim. Era uma carta para gestantes, sobre um assunto único, e fazia sentido ter uma única voz no comando do texto. Esta segunda edição é diferente — e proposital. Saúde, na vida real, não cabe em uma única voz. Cada fase pede um olhar; cada queixa pede uma escuta diferente. Por isso, a partir desta edição, o periódico passa a ter quatro colunas regulares.

Eu cuido das pacientes com 60 anos ou mais e abro esta edição com um tema que volta toda semana ao consultório: a reposição hormonal. Mais especificamente, os mitos que ainda circulam sobre ela — e o que a saúde da boca tem a dizer sobre o climatério.

Em seguida, o Dr. Moisés Scherer, responsável técnico da clínica, escreve para os homens entre 40 e 60 anos sobre um sinal que o corpo manda há anos e quase ninguém escuta: o bruxismo. Depois, a Dra. Fernanda Borth Scherer orienta as mulheres entre 40 e 60 sobre uma decisão prática de quem decidiu cuidar do sorriso nessa fase da vida — alinhador invisível ou aparelho fixo, com critério clínico claro. E fechamos com a coluna do médico convidado, que faz a ponte entre a boca e o resto do corpo.

É um periódico que quer ser companhia. Cada uma destas quatro colunas está aqui para servir você — em qualquer fase em que você esteja.

Dra. Rose Borth
Diretora Clínica · Editora · CRO/RS
Centro de Saúde Integrativa Dra. Rose Borth
Dra. Rose Borth
Dra. Rose Borth
Diretora Clínica · Editora
Cuida das pacientes 60+ no Centro de Saúde Integrativa Dra. Rose Borth.
Sumário desta edição
ISaúde Integrativa Para Mulheres 60+O mito da reposição hormonal — e o que a sua boca tem a dizer.Por Dra. Rose Borth
IISaúde Integrativa Para Homens 40+Bruxismo: o sinal silencioso que o corpo manda há anos.Por Dr. Moisés Scherer
IIISaúde Integrativa Para Mulheres 40+Alinhador invisível ou aparelho fixo: o que escolher aos 40+.Por Dra. Fernanda Borth Scherer
IVSaúde Integrativa · Coluna do ConvidadoQuando a boca sinaliza algo que pede outro especialista.Por Dr. [Nome do Convidado]
Dra. Rose Borth
Coluna I · Saúde Integrativa

Para Mulheres 60+

O mito da reposição hormonal — e o que a saúde da boca tem a dizer sobre o climatério.
Por Dra. Rose Borth Diretora Clínica · CRO/RS · Centro de Saúde Integrativa
Foto temática · Reposição hormonal aos 60+
Reposição hormonal aos 60+ · uma decisão que precisa ser tomada com informação clara, não com mito repetido. Capítulo I · Mulheres 60+
Saúde & Qualidade de Vida · Edição 02 Capítulo I · Mulheres 60+
A consulta começa quase sempre da mesma forma. A paciente senta na cadeira, conta da gengiva que mudou, da boca que está mais seca, do dente que parece sensível ao frio agora. E, em algum momento, ela diz: "doutora, eu até pensei em fazer reposição hormonal, mas tenho medo". Nesse instante, a conversa muda de assunto — e, ao mesmo tempo, continua sendo a mesma conversa. Porque a saúde da boca, depois dos 60, é parte da história hormonal dessa mulher.

A reposição hormonal é um dos temas em que mais sobrevive informação desencontrada. Mulheres que recusam o tratamento por medo, mulheres que aceitam o tratamento sem saber do que se trata, médicos que indicam, médicos que desaconselham. No meio desse barulho, a paciente fica sem saber o que decidir. E, na maior parte das vezes, decide adiando — o que também é uma decisão.

Eu não sou ginecologista. Não cabe a mim recomendar ou desaconselhar a reposição hormonal de qualquer paciente — essa decisão é da paciente com o seu ginecologista, com base em histórico, exames e fatores de risco individuais. O que cabe a mim, como dentista, é trazer para essa conversa um pedaço da história que costuma ficar de fora: o que está acontecendo na boca dessa mulher quando os hormônios mudam.

Mito 1 · "Depois dos 60, o problema é a osteoporose — e a boca não tem nada a ver."

Tem, sim. A queda do estrogênio que marca a pós-menopausa não afeta apenas o esqueleto longo do corpo — afeta também os ossos da maxila e da mandíbula, que sustentam os dentes. A redução da densidade óssea alveolar (o osso que segura cada raiz) é um processo silencioso, lento, e diretamente associado à perda dentária na pós-menopausa.

Não é que todo dente vai cair — felizmente, está longe disso. Mas é que o terreno onde o dente está plantado fica mais frágil, e qualquer doença das gengivas que apareça nessa fase encontra um osso menos resistente para se defender. É por isso que periodontite e osteoporose se sobrepõem com frequência nas pacientes que acompanho.

A queda do estrogênio não fica nos ossos do quadril e nem nos da coluna. Ela chega ao osso da maxila e da mandíbula também — e a gengiva e o dente sentem isso bem antes de qualquer fratura aparecer.

Mito 2 · "Boca seca é da idade. Não tem o que fazer."

Tem. A xerostomia — nome técnico da boca seca — é uma das queixas mais comuns no climatério e na pós-menopausa, e não é simplesmente "coisa da idade". É uma alteração mensurável do fluxo salivar, ligada à queda dos hormônios e, muitas vezes, agravada por medicamentos que se tornam comuns nessa fase (anti-hipertensivos, antidepressivos, anti-histamínicos).

A saliva é o sistema de proteção natural da boca. Quando ela diminui, o risco para cárie volta a subir, mesmo em mulheres que nunca tiveram cárie antes; o risco para infecções fúngicas aumenta; o conforto ao falar, mastigar e engolir piora. É um sintoma que pede tratamento, e existe tratamento — desde mudanças simples (mais água ao longo do dia, eliminação de álcool nos enxaguatórios, uso de produtos específicos) até intervenções clínicas dedicadas.

Mito 3 · "Reposição hormonal causa câncer — então é melhor não fazer."

Esse é o mito mais antigo e o que mais merece cuidado. A literatura médica das últimas duas décadas é mais matizada do que a frase categórica do mito. Existem riscos associados a alguns tipos de reposição em algumas pacientes; existem benefícios documentados de outros tipos em outras pacientes. O que não existe é uma resposta única que sirva para todas as mulheres — e é por isso que essa decisão é tão particular, tão individual.

O que eu peço para minhas pacientes é que essa conversa aconteça com o ginecologista delas, baseada em exames e em histórico real, e não em frases prontas ouvidas pela metade. E que, nessa conversa, a saúde bucal entre como uma das informações da equação — porque a forma como a sua gengiva está, a forma como a sua boca está, a forma como o seu osso da mandíbula está, são todos sinais hormonais legíveis.

Eu não decido reposição com a minha paciente. Mas ela traz para mim, depois, o resultado dessa decisão — na boca. E aí eu posso ajudar a ler o que aconteceu, e ajustar o cuidado.

Mito 4 · "Aos 60+, a saúde da boca é só manutenção. Já passou da fase de mudar muita coisa."

Esse mito é talvez o mais perigoso de todos, porque transforma uma fase ainda longa da vida em uma fase de espera. Mulheres aos 60, hoje, têm em média mais 25 anos pela frente. Vinte e cinco anos é tempo demais para "só manter". É tempo para tratar, para prevenir, para reabilitar quando precisa, e para chegar aos 80 e aos 85 com função mastigatória inteira, com sorriso firme, com gengiva saudável.

É por isso que esta coluna do periódico existe — para combinar com você que essa fase merece protagonismo. Não merece adiamento.

Check-up que toda mulher 60+ deveria considerar este ano
  1. Avaliação periodontal completa — não apenas "limpeza", mas medição de bolsa gengival, mobilidade dentária e nível ósseo radiográfico.
  2. Avaliação de fluxo salivar — exame simples que mede xerostomia objetivamente.
  3. Conversa franca sobre os medicamentos que você toma — porque vários deles afetam a boca.
  4. Revisão das próteses (fixas ou removíveis) — adaptação muda com o tempo, e prótese desadaptada cria zonas de inflamação crônica.
  5. Plano combinado com a sua ginecologia — quando indicado, com troca clara de informações entre os profissionais que cuidam de você.

Se você é minha paciente há anos, conhece esse jeito de cuidar. Se está chegando agora, é assim que vamos começar — e vamos ter tempo, juntas, para tudo o que precisar.

Dr. Moisés Scherer
Coluna II · Saúde Integrativa

Para Homens 40+

Bruxismo: o sinal silencioso que o corpo já manda há anos sem ser ouvido.
Por Dr. Moisés Scherer Responsável Técnico · CRO/RS 15017 · Centro de Saúde Integrativa
Foto temática · Bruxismo do homem 40+
Bruxismo do sono · um sinal corporal que costuma chegar antes do diagnóstico que ele indica. Capítulo II · Homens 40+
Saúde & Qualidade de Vida · Edição 02 Capítulo II · Homens 40+
O paciente entra no consultório, senta na cadeira, e antes mesmo de abrir a boca eu já sei que há grandes chances de ele apertar os dentes durante o sono. O rosto entrega — músculo do masseter pronunciado, têmpora marcada, às vezes uma assimetria leve no maxilar. Aos 40 e poucos anos, na maioria dos homens que atendo, o bruxismo já está instalado há anos. E, na maioria, ele ainda nem foi nomeado.

Bruxismo é o nome técnico para o ato de ranger ou apertar os dentes — geralmente durante o sono, às vezes durante o dia, em momentos de concentração ou tensão. Em pequenas doses, o sistema mastigatório aguenta. Em doses crescentes, mantidas por anos, ele começa a cobrar. E é nesse pedaço da vida — entre os 35 e os 55 anos — que a fatura costuma chegar.

Os sinais que o homem 40+ traz para a consulta sem saber que estão conectados.

Olho para a boca antes de tudo: faces dos dentes posteriores achatadas, esmalte gasto na borda dos incisivos, marca de mordida no interior da bochecha, ponta da língua com indentações pequenas no formato dos dentes. Cada um desses sinais, isolado, pode não dizer muita coisa. Juntos, dizem que houve muito atrito noturno por muito tempo.

Mas o homem que vem ao consultório raramente vem por causa disso. Vem por dor de cabeça que aparece pela manhã. Por estalo na articulação ao abrir a boca. Por sensibilidade ao frio em vários dentes ao mesmo tempo. Por trinco no esmalte que ele percebeu de relance no espelho. Por restauração que partiu sem trauma. Todos esses são desfechos do mesmo padrão noturno — só não são percebidos como tal.

Quando o paciente me diz que acorda com a sensação de que dormiu, mas não descansou, ou que tem dor de cabeça frequente nas têmporas pela manhã, eu já fico atento. Quase sempre, o exame da boca confirma o que o sono já estava sinalizando.

Estresse, sono ruim e o sinal que vai além do dente.

Bruxismo não é uma doença "do dente". É uma manifestação do sistema nervoso autônomo durante o sono — uma contração muscular involuntária que costuma vir junto de microdespertares. Por isso, a literatura científica das últimas duas décadas relaciona o bruxismo do sono a três fatores principais: nível elevado de estresse psicológico, qualidade ruim do sono, e — em uma parte significativa dos casos — apneia obstrutiva do sono.

Esse último ponto é o que torna o bruxismo um sinal corporal importante para a faixa dos 40+ masculinos, em particular. Estudos mostram que até metade dos pacientes com apneia obstrutiva apresenta bruxismo concomitante. O mecanismo é o seguinte: durante a apneia, a respiração para por alguns segundos, a oxigenação do sangue cai, o corpo desperta minimamente para retomar a respiração — e, com frequência, esse microdespertar dispara uma contração muscular da mandíbula, como uma reação de proteção da via aérea. O ranger noturno seria, em parte, o corpo lutando para respirar.

Por que isso importa muito mais do que parece.

Apneia obstrutiva do sono não tratada está associada — a literatura é clara nisso — a aumento do risco cardiovascular: hipertensão arterial mais difícil de controlar, eventos cardíacos, AVC, e fadiga crônica que afeta desempenho profissional e qualidade de vida. O bruxismo, nesses casos, é um sinal de alerta corporal precoce — um marcador de risco que aparece na boca antes de aparecer no eletrocardiograma.

O dentista, frequentemente, é o primeiro profissional a identificar um padrão que pode ter implicação cardiovascular. Não para diagnosticar — isso cabe ao médico. Mas para sugerir investigação. E é nessa hora que a comunicação entre dentista e médico cuidador faz diferença.

O que fazemos no consultório, na prática.

O cuidado do bruxismo aos 40+ começa por mapear a extensão do dano: quanto desgaste já houve, qual a condição da articulação temporomandibular, qual a queixa muscular do paciente. A partir desse mapa, o cuidado tem três frentes:

Frente 1 · Proteção mecânica. Placa oclusal noturna feita sob medida — não placa de farmácia. Uma placa bem adaptada amortece a força do aperto, distribui a carga oclusal, protege o esmalte e os músculos. Não cura o bruxismo, mas evita que a fatura continue crescendo.

Frente 2 · Investigação ampliada. Quando há sinal de apneia ou de sono não-restaurador, eu recomendo polissonografia, em diálogo com um médico do sono. É o exame que confirma ou descarta a apneia obstrutiva — e que abre o caminho para tratamento adequado, quando indicado.

Frente 3 · Manejo de causa. Bruxismo associado a estresse melhora com manejo do estresse — não há truque. Hábitos de higiene do sono, atividade física regular, redução do álcool nas horas que antecedem o sono, e, em alguns casos, acompanhamento psicoterápico. Não é sobre força de vontade — é sobre criar condições para o sistema nervoso desligar a noite.

Quando procurar avaliação — homem 40+

Dor ao acordar nas têmporas ou na mandíbula · estalo ao abrir a boca · dentes que parecem mais curtos do que antes · sensibilidade ao frio aparecendo em vários dentes ao mesmo tempo · restauração que partiu sem trauma · ronco intenso ou pausa respiratória observada por quem dorme ao seu lado. Qualquer um destes sinais é razão para uma avaliação.

O paciente 40+ que cuida do bruxismo cedo cuida muito mais do que do dente. Cuida do sono, cuida do cérebro, cuida do coração. É por isso que esta coluna existe — para que esse sinal pare de passar despercebido.

Dra. Fernanda Borth Scherer
Coluna III · Saúde Integrativa

Para Mulheres 40+

Alinhador invisível ou aparelho fixo: a decisão clínica que a paciente moderna precisa.
Por Dra. Fernanda Borth Scherer Equipe Clínica · CRO/RS · Centro de Saúde Integrativa
Foto temática · Alinhadores aos 40+
Alinhadores invisíveis e aparelhos fixos · duas tecnologias com indicações distintas, e nenhuma delas universal. Capítulo III · Mulheres 40+
Saúde & Qualidade de Vida · Edição 02 Capítulo III · Mulheres 40+
A paciente que decide cuidar do sorriso aos 40 e poucos anos chega ao consultório com uma combinação muito específica: clareza sobre o que quer, alguma ansiedade pela demora em ter feito antes, e uma pergunta direta — alinhador invisível, ou aparelho fixo? A resposta, na maioria das vezes, não é "depende" — é uma escolha clara, baseada em três ou quatro variáveis. Este capítulo organiza essas variáveis.

Aos 40+, a paciente que vem para tratamento ortodôntico raramente está pensando em estética sozinha. Está pensando em saúde bucal de longo prazo, em função mastigatória, em prevenir desgastes assimétricos, em ter um sorriso que envelhece bem. Por isso, a conversa precisa ser técnica. Não no sentido de ser fria — mas no sentido de ser baseada em critério, e não em modismo.

As duas tecnologias, em uma frase cada.

Aparelho fixo (bráquetes ortodônticos). Tecnologia consolidada há décadas, com bráquetes colados nos dentes e fios metálicos ou estéticos que aplicam força contínua. Permite o controle mais preciso de movimentos complexos — torque de raiz, fechamento de espaços grandes, correções verticais. É a tecnologia de escolha em casos com grande complexidade biomecânica.

Alinhadores invisíveis (placas removíveis sequenciais). Tecnologia mais recente, com placas transparentes feitas sob medida que o paciente troca a cada uma ou duas semanas. Praticamente invisíveis no sorriso, removíveis para comer e escovar, exigem disciplina de uso (mínimo de 22 horas por dia). Excelente para casos de complexidade leve a moderada — apinhamentos, espaços pequenos, recidivas de tratamento ortodôntico antigo, refinamentos estéticos.

A pergunta que eu faço para a paciente nem sempre é "qual a sua preferência" — é "o que o seu caso pede". Porque a decisão melhor é sempre a que coloca a anatomia e a necessidade clínica em primeiro lugar.

Quatro variáveis para decidir.

Variável 1 · A complexidade do caso. Apinhamento leve a moderado, espaços pequenos, correção de mordida com pequenos ajustes verticais — alinhadores costumam resolver muito bem. Casos com necessidade de extração dentária, fechamento de espaço grande, correção vertical importante ou movimento de raiz — aparelho fixo costuma ser indicação mais segura.

Variável 2 · A rotina de vida. Profissional que se apresenta em público, que tem fala diária com clientes, que viaja com frequência, que prioriza estética sem comprometer função — alinhador é uma decisão muito boa. Paciente com rotina onde o cuidado diário pode ficar irregular, ou que sabe que não vai usar 22 horas por dia — aparelho fixo é mais previsível, justamente porque está sempre lá.

Variável 3 · A saúde da gengiva. Aos 40+, é comum a paciente ter, junto, algum grau de doença periodontal — recessão gengival, bolsa periodontal leve, mobilidade discreta. Alinhadores tendem a ser mais favoráveis em pacientes com periodontite controlada, porque permitem higiene completa todos os dias (a paciente remove e escova). Aparelho fixo exige protocolo de higiene mais rigoroso, com escovas interdentárias específicas e fio passa-fio.

Variável 4 · O custo total de cuidado. Aqui não estou falando só de honorários — estou falando do custo de tempo, de manutenção, de retornos ao consultório. Alinhadores costumam exigir consultas mais espaçadas. Aparelho fixo costuma exigir manutenções a cada quatro a seis semanas. A escolha precisa caber na sua agenda real, não em uma agenda ideal.

A escolha entre alinhador e aparelho fixo é, antes de tudo, uma escolha de adequação. O melhor tratamento ortodôntico, na minha experiência, é sempre aquele que a paciente consegue cumprir do começo ao fim sem que isso vire fonte de frustração.

O que muda quando a paciente passa dos 40.

Tratar ortodontia aos 40+ tem particularidades que a paciente mais jovem não tem. A movimentação dentária é mais lenta, porque o osso responde de forma diferente em um corpo adulto. A gengiva costuma estar mais delicada — em parte por mudanças hormonais (especialmente no climatério), em parte por anos de cuidado caseiro nem sempre perfeito. A presença de restaurações antigas, coroas, próteses ou implantes precisa entrar no planejamento desde o início.

Tudo isso significa que o tratamento ortodôntico aos 40+ não é "adolescência atrasada". É um tratamento próprio, com indicações próprias, com cuidados próprios. Bem indicado, dá um resultado tão bom — e às vezes ainda melhor — do que o tratamento iniciado mais cedo, justamente porque a paciente adulta sabe o que quer e cuida com mais consistência.

A primeira consulta — o que esperar.

Na minha consulta inicial com a paciente que está pensando em ortodontia, eu faço três coisas: examino a boca toda (não só os dentes "tortos"), peço documentação ortodôntica completa (radiografia panorâmica, telerradiografia, fotografias e modelos digitais), e converso. A documentação é o que me permite responder a pergunta dela com critério clínico, e não com adivinhação. A conversa é o que me permite ouvir o que ela espera do resultado — e ajustar a expectativa, quando precisa.

Depois disso, eu apresento o diagnóstico, mostro as opções viáveis para o caso dela, e explico as variáveis que listei acima. A escolha final é dela. O meu papel é fazer com que ela tome essa escolha com toda a informação, e nenhuma decisão por moda ou por achismo.

Antes de decidir, leve para a sua consulta inicial
  1. Sua agenda real dos próximos 18 a 24 meses — para avaliar viabilidade de retornos.
  2. Seus objetivos: estético, funcional, ambos. Quanto mais claro, melhor.
  3. Histórico ortodôntico prévio — usou aparelho na adolescência? Houve recidiva? Onde?
  4. Lista de medicamentos atuais — alguns afetam a movimentação dentária (bisfosfonatos, por exemplo).
  5. Disposição para cuidado caseiro adicional — escova interdentária, fio dental específico, encaixes de alinhador.

Aos 40+, decidir cuidar do sorriso é uma decisão madura. Merece, da nossa parte, uma resposta à altura.

Médico convidado desta edição
Coluna IV · Saúde Integrativa

Coluna do Convidado

A leitura de quem cuida do outro lado: quando a boca sinaliza algo que pede outro consultório.
Por Dr. [Nome do Convidado] [Especialidade Médica] · CRM/[UF] [Número] · [Instituição]
Foto temática · Coluna do Convidado
A coluna do médico convidado · onde a saúde da boca encontra o corpo todo, com a leitura de quem cuida do outro lado. Capítulo IV · Convidado
Saúde & Qualidade de Vida · Edição 02 Capítulo IV · Convidado
Existe uma fronteira que o paciente raramente percebe enquanto está sentado na cadeira do dentista — a fronteira entre o que pertence à boca e o que pertence ao corpo todo. Esse capítulo é sobre essa fronteira: o que o dentista vê primeiro, e quando faz sentido o paciente sentar também na cadeira de outro consultório.

Eu trabalho em comunicação com a equipe da Dra. Rose Borth há tempo o suficiente para perceber um padrão: muitos dos meus pacientes chegam ao meu consultório por encaminhamento da clínica dela. E muitos dos pacientes da Dra. Rose foram orientados, em algum momento, a procurar a minha especialidade — porque alguma coisa que apareceu na boca pedia investigação além da boca.

Esse fluxo de duas mãos entre dentista e médico costuma fazer diferença real no diagnóstico precoce de condições que, de outra forma, demorariam a ser identificadas. Por isso aceitei o convite para abrir esta coluna. Quero contar para você, leitor ou leitora, o que essa parceria entre boca e corpo enxerga — e em que momentos ela muda a história clínica de quem é cuidado pelos dois lados.

[Subseção a definir conforme o convidado e a sua especialidade.]

Esta coluna será preenchida com o conteúdo desenvolvido pelo médico convidado desta edição, em conexão com um dos três temas centrais — saúde 60+, saúde do homem 40+, saúde da mulher 40+. A conexão escolhida e o desenvolvimento clínico ficam a cargo do convidado, em diálogo com a editora desta edição.

Aqui entra a primeira citação do médico convidado — uma frase que estabeleça o tom da coluna e ancore a perspectiva da especialidade dele junto à saúde da boca.

[Segunda subseção do convidado.]

Continuação do desenvolvimento clínico, sempre conectando o tema da especialidade ao trabalho do dentista — onde os dois consultórios se encontram, em quais sinais um deve consultar o outro, e como o cuidado integrado costuma chegar a um diagnóstico ou desfecho melhor do que o cuidado isolado.

Segunda citação do convidado — geralmente o ponto de virada do texto, onde o leitor entende por que essa colaboração entre médico e dentista importa para a vida prática dele.

[Fechamento e síntese da coluna.]

Síntese do capítulo, com retomada da tese central e indicação de quando o leitor deve, ele mesmo, procurar avaliação com a especialidade do convidado. Essa parte costuma vir com sinais práticos, em formato de lista ou bloco de alerta, para facilitar a leitura rápida.

Sinais que pedem avaliação com a especialidade do convidado

[Lista de sinais clínicos a serem preenchidos pelo médico convidado, conectando-os à saúde da boca e à saúde geral.]

Esta coluna é uma porta aberta. O Centro de Saúde Integrativa Dra. Rose Borth e o consultório do nosso convidado trabalham em diálogo direto sempre que um caso pede esse cuidado em duas frentes — e é assim que o cuidado integrativo, na prática, acontece.

Expediente Editorial

Quem assina esta edição.

Cada coluna fixa do periódico é assinada por um especialista dedicado a uma fase específica da vida. A coluna do convidado é renovada a cada edição, em conexão com um dos três temas centrais.

Coluna 60+ · Editora
Dra. Rose Borth
Diretora Clínica · CRO/RS
Centro de Saúde Integrativa Dra. Rose Borth
Coluna Homens 40+
Dr. Moisés Scherer
Responsável Técnico · CRO/RS 15017
Cirurgião-Dentista
Coluna Mulheres 40+
Dra. Fernanda Borth Scherer
Equipe Clínica · CRO/RS
Cirurgiã-Dentista
Coluna do Convidado
Dr. [Nome do Convidado]
[Especialidade] · CRM/[UF] [Número]
Convidado especial desta edição
Centro de Saúde Integrativa Dra. Rose Borth
Check-up Preventivo Digital · Implantes e reabilitação estética · Alinhadores invisíveis · Tratamentos de ATM
Atendimento para crianças, adultos e idosos · Pré-natal odontológico · Saúde bucal materno-infantil
Três Passos · Rio Grande do Sul · Em parceria com o Hospital Caridade Três Passos